Blog do Celino Neto

Retrospectiva futebolística 2014: O ano que o 7 a 1 nos ensinou que o ”Maracanazo” não foi um vexame

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 Até o dia oito de julho de dois mil e quatorze, os brasileiros tinham a final de 1950, diante do Uruguai, como o grande vexame da história de sua seleção. Quando na primeira Copa do Mundo em casa, nossa seleção permitiu uma virada em pleno Maracanã… Mas aprendemos que não, não foi um vexame e sim uma tragédia, e os jogadores que estavam presentes naquela ocasião foram ‘livrados’ deste peso tão grande nas costas graças à Alemanha, que mostrou o significado da palavra vexame ao torcedor brasileiro.
2014 foi o ano em que a seleção mais vezes campeão do mundo foi eliminada em uma semifinal de Copa do Mundo em casa por um placar de 7 a 1. O Brasil, tratado pelo mundo como país do futebol, território onde o esporte mais consumido do globo terrestre é tratado como religião… Parece ter mudado, desconfio que nossos vizinhos argentinos e uruguaios nos ultrapassaram neste quesito, ou talvez os cinco mundiais tenham dado ao Brasil o rotulo que os torcedores sul-americanos conquistaram por direito, e que nos estamos cada vez mais se distanciando.
Às 17h45 daquela terça-feira, um dia antes da segunda semi-final, entre Holanda x Argentina, todo o mundo já sabia qual seria o finalista… Isto pois os comandados de Joaquim Low precisaram de menos de uma etapa completa para ‘resolver a parada’ e calar o Mineirão, provocando o ‘Minerazo’, a maior tragédia(se falamos dentro de campo) do futebol mundial. 

Acredito que, assistindo pela TV em casa, não entendi muito bem o porquê dos torcedores brasileiros presentes no estádio comemorarem o gol de Oscar aos quarenta e cinco minutos do segundo tempo, quando o marcador já mostrava sete gols contra… Talvez estivessem atordoados por virem um capitulo histórico do futebol(E decepcionante para a Seleção Brasileira), passar diante de seus olhos. Era simplesmente o sonho de um título mundial em casa sendo destruído à sua frente 64 anos depois.


Abaixo você pode conferir o texto sobre o 7 a 1 publicado neste blog logo após a partida, no dia 08/07/2014, veja abaixo:

Brasil 1 x 7 Alemanha

 Os erros são muitos, não dá para listar todos eles, e por incrível que pareça, também existiram acertos, estes quase imperceptíveis após um vexame nesta escala. A Confederação Brasileira de Futebol, a famosa CBF, resolveu mudar de técnico no meio do trabalho de Mano Menezes, quando o treinador, que deixou a seleção chata de se assistir, começava finalmente a evoluir. O nome ‘ideal’ foi Luiz Felipe Scolari, e como assistente Parreira, convenhamos uma dupla pré-histórica, campeã mas que já deu o que tinha que dar.

Apontar erros nesta hora é muito fácil, mas a seleção com mais títulos mundiais não pode, em hipótese alguma, ser goleada por 7 a 1 em casa, com o apoio de sua torcida. Não foi somente uma desclassificação, não foi somente uma derrota em casa e nem mesmo mas uma Copa como ‘qualquer outra’, e sim uma humilhação que atingiria o máximo da Escala Richter. Os alemães faziam o que queriam no primeiro tempo, tamanho a apatia dos jogadores brasileiros em campo, estes que pareciam chocados e despreparados para enfrentar um adversário superior… Não é para menos após tamanha soberba da dupla pré-histórica desde o inicio da Copa.
Felipão tentou manter seu estilo e não ‘temeu a Alemanha’, foi corajoso e não nego isso, mas o problema é que não precisava ‘temer’ e sim adaptar seu estilo de jogo. Quando falamos de peso na camisa, história, tradição, não tenho dúvidas que a Seleção Brasileira é a maior, ou foi, isto pois não joga mais um futebol digno das estrelas que tem em seu peito a um bom tempo.

Mais uma vez caímos no conto de fadas chamado Copa das Confederações, não gosto mas vou dizer ‘Eu disse!'(Como você pode ver neste link). Felipão conseguiu ”resgatar” a paixão da torcida para o Mundial por uma partida apenas, o 3 a 0 contra a Espanha, uma seleção que já estava em decandência clara, e esta Copa mostrou isto ainda mais claramente, os espanhóis caíram na primeira fase. Nas partidas da Copa das Confederações, o Brasil não saiu goleando todos os adversários, somente na final, como sempre, ‘bendita Copa das Confederações’ para não dizer outra coisa, nos enganou mais uma vez. 
Chegamos a esta Copa do Mundo e não fizemos um grande jogo sequer, na estreia contra a Croácia o time esteve nervoso, e ganhou graças a uma penalidade pra lá de duvidosa. 
Contra o México um empate, pouca criatividade e um dia inspirado de Ochoa. 
Na terceira partida da Copa o adversário foi a fraca seleção de Camarões(já eliminada), e não podíamos esperar outra coisa, uma boa vitória. 
Nas oitavas o Chile, um freguês histórico da nossa seleção, um bom primeiro tempo, desastrosos quarenta e cinco minutos finais e a partida foi levada para os pênaltis, Julio Cesar brilha e vamos para as quartas.
Contra a Colômbia um ótimo primeiro tempo, um segundo tempo regular e novamente, contra um adversário de pouca expressão mas de boa campanha, vamos para as semifinais, um avanço a sétima partida garantida. Se você for bondoso claro que pode achar um bom futebol jogado pela Seleção, porém verá que não foram mais de 45 minutos da partida.
Contra Alemanha aconteceu o que nem o mais otimista alemão previa, um massacre, um 7 a 1 na conta dos jogadores convocados, nos dirigentes, no técnico Luiz Felipe Scolari e no torcedor brasileiro. A verdade é que a Seleção Brasileira não estava preparada para enfrentar um grande adversário. 
Também temos que aprender a exaltar o adversário quando perdemos, a Alemanha foi perfeita, não fez 15 x 1 porque claramente tirou o pé. No segundo tempo eles já começaram a partida com uma vaga na final e fora de casa resolveram ‘amenizar as coisas’.

Outro fator importante da Seleção Alemã são as ‘cicatrizes que eles tem’, nos últimos anos a Alemanha nadou, nadou e morreu na praia, esta ótima geração foi apontada por muitos alemães como ‘amarelona’ e ‘pipoqueira’, após derrotas na Copa de 2006, Euro 2008, Copa de 2010 e Euro 2012. Por estas experiências eles chegam tão fortes, por isto eles estão na final onde irão enfrentar o ganhador de Holanda e Argentina.

O 7 a 1 escancara à todo o planeta que o Brasil não é mais aquele ‘bicho papão’, isto mostra que podemos ter adversários mais ‘atrevidos’ nas próximas competições oficiais(Copa América e Eliminatórias). Tudo isto mostra que a Seleção Brasileira não tem mais a ‘magia’ idolatrada pelos veteranos e nem mesmo a eficiência vista por alguns mais jovens… De hoje até a próxima grande competição, seremos uma gigante em queda livre.

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