Blog do Celino Neto

”O pessoal da ESPN era muito Lula”, afirma Soninha, ex-comentarista do canal

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 A ESPN sempre foi conhecida por ser o canal esportivo mais ‘politizado’ da TV, e de um tempo para cá esta ‘característica’ vem sendo muito criticada nas redes sociais. Quando se duvida de algo, sempre é mais convincente que uma pessoa ‘envolvida’ afirme, e digamos que a ex-comentarista do canal pago fez uma ‘delação premiada’ em sua entrevista ao UOL Esporte. Mas ela não cometeu um crime, apesar da reação dos ex-companheiros nas redes sociais e até Ao Vivo, apenas relatou o que vivenciou dentro da empresa.

Soninha Francine começou a trabalhar como VJ na MTV e chegou a ESPN Brasil para trabalhar como comentarista, ficou no canal enquanto vereadora pelo PT e exerceu mandato até 2008 pela cidade de São Paulo. Foi candidata a prefeitura de São Paulo em 2008 e dois anos depois queria se lançar ao governo do estado, o seu então partido, agora o PPS, resolveu apoiar o tucano Geraldo Alckmin nas eleições e a mesma se tornou editora do site do também psdbista, José Serra, nas eleições presidenciais de 2010. Logo após a campanha ela deixou seu posto de comentarista na ESPN Brasil, como ela cita em sua entrevista.

E mais uma vez ela levanta a bola para aqueles que criticam a postura ‘petista da ESPN’, esta que seria ‘comandada’ por veteranos como José Trajano e Juca Kfouri e que para muitos precisa ser padrão no canal… Na Copa do Mundo, parte dos telespectadores da TV por assinatura se revoltaram após afirmarem que as vaias e xingamentos a Dilma Rousseff na abertura da competição veio da ”elite branca paulista”.

Mas as polêmicas não param por ai, no programa Linha de Passe, um dos mais importantes do canal, José Trajano(sempre ele), criticou duramente jornalistas de oposição(citando nomes) por ‘semearem o ódio’ a ‘presidenta'(como o próprio prefere chamar).

Abaixo você poderá conferir parte da entrevista do UOL Esporte com Soninha, e você pode ver completa clicando aqui.

Por que você saiu da ESPN Brasil?
Eu me afastei pela última vez da ESPN para fazer política na campanha de 2010, eu trabalhava no site oficial da campanha do (José) Serra. Quando terminou a campanha eu estava exausta, precisava de uns dias de folga antes de voltar para o ar, precisava me atualizar com futebol. Mas eu não conseguia mais dar tanta importância para aquilo. Eu tinha ficado completamente afastada de tudo por causa da campanha presidencial e eu tinha que retomar, entender, saber como era o meio campo do Coritiba, o que mudou do início do campeonato e eu não conseguia me motivar para aquilo. Pedi mais uns dias, descobri que não tinha mais o mesmo interesse que precisava ter para ser um bom comentarista. Porque enganar é fácil. Cansei de ver colega enganando, não colega da ESPN. Você vai no clichê, joga para a torcida.. então eu descobri que não dava mais para fazer os dois e decidi ficar com a política.
A sua relação com a política influenciou na sua saída?
A política atrapalha o comentário de futebol, ainda mais na ESPN que é um lugar politizado, que é um lugar em que a política no futebol é muito importante. Que bom que é assim, mas aí as paixões político-partidárias interferem. Naquele momento eu era um ponto muito fora da curva tendo trabalhado na campanha do Serra. O pessoal da ESPN era muito Lula, vai? Então isso também não me dava muito ânimo de voltar. Um lugar onde a gente discute a política dentro do futebol, eu estava praticamente isolada ali. Isso também me desanimou, não era só futebol.
O fato de você ter trabalhado na campanha de um candidato alterou a sua imagem na empresa?
Sim, fez diferença. Eu não só me afastei alguns meses da ESPN para participar de uma eleição como candidata ou como equipe, mas do candidato da oposição ali. O pessoal fala muito agora dessa última eleição, que foi radicalizada, que teve muito golpe baixo, mas em 2010 já foi muito violento, foi muito pesado, assim de acusações, de agressões, então a rivalidade ali se acirrou muito. Na ESPN dava para perceber, era uma coisa que já havia antes desde a primeira eleição do Lula. Tinha toda uma expetativa, esperança. O Trajano participou de um grupo que fez propostas para a política esportiva do governo Lula, o Sócrates, que era muito chapa e querido, era membro do Conselho Nacional de Esporte do governo Lula, então tinha uma aproximação muito visível, muito evidente assim, de afinidade mesmo, normal, de identidade. Então também eu sabia que ia acontecer muitas vezes o que tinha acontecido lá na Olimpíada… de tomar o esculacho, tá todo mundo dizendo que os jogadores estão mascarados e eu estou dizendo ‘não, não é esse o problema’.
Que mudança você percebeu na ESPN por causa da política?
A ESPN aliviando nas críticas. Gente isso era muito anti-ESPN. A ESPN nunca aliviou em crítica, era muito legal isso. Era totalmente independente o espaço jornalístico do espaço comercial. E aí quando eu vi que esse fervor na defesa do dinheiro público estava arrefecendo um pouco na análise dos preparativos para a Copa do Mundo, eu já comecei a ficar um pouco desapontada. E mais ainda quando a audiência na ESPN me identificava como inimiga porque eu continuava fazendo as mesmas críticas contundentes. Então aquela coisa amarga, agressiva e violenta que eu já vivia sendo vereadora ou sendo sub-prefeita, que foram trabalhos que acumulei com a ESPN. Pô! Eu vinha da sub-prefeitura, onde já me davam um pau violento, e continuavam me dando pau na ESPN por causa da política. Já não eram mais divergências esportivas, mas político-partidárias. E aí dentro da ESPN eu fui virando a exceção e isso ressaltava mais a agressividade dos assinantes, dos fãs de esporte. “Ah.. ela fala isso porque ela é ressentida com o PT, ela saiu do PT, então ela tem inveja porque o Brasil vai sediar a Copa do Mundo”. Então vinha dos fãs de esporte e aí começou a aparecer esse ruído entre os próprios colegas. Essa divergência foi ficando muito difícil. Fui vendo essa condescendência da ESPN, ela não foi contundente como sempre tinha sido em relação a essa Copa no Brasil. E eu não fui a única a reparar. Nas redes sociais também, várias pessoas diziam assim: ‘porra meu, que decepção, decepção cara. Não esperava isso desse cara aí da ESPN’. Então doeu.

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