Blog do Celino Neto

O jogador de futebol ainda consegue amar um clube?

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 O meio-campista inglês Steven Gerrard acaba de completar 500 partidas com a camisa do Liverpool, e vendo a noticia comecei a pensar no porque deste tipo de jogador se tornar cada vez mais raro no mundo do futebol. Nesta postagem gostaria de falar especificadamente do Brasil, que ainda tem o prazer de ainda ter jogadores como Rogério Ceni, com mais de 1.200 partidas pelo São Paulo e que sem dúvidas é um simbolo do clube.

O futebol tem cada vez menos jogadores como Gerrard, Casillas, Buffon, Zanetti, Rogério Ceni, Marcos, Baresi, Totti, Giggs, Puyol, entre outros atletas que claramente se identificam com o sua equipe e torcida, que até já receberam propostas melhores de clube e salário mais atrativos, porém que preferiram ficar em sua ”verdadeira casa”.

Qual jogador brasileiro revelado nos dias de hoje daria as costas para a Europa? Difícil de imaginar, pois o primeiro Shaktar Donetsk ou Zenit os levam com facilidade, sem mesmo sequer dar os primeiros passos para se tornar um ídolo em seu país. As questões estruturais pesam, e isto é claro, um jogador como Neymar permanecer no Brasil seria um enorme sacrifício e até desperdício, pois nos dias atuais sair do país não é somente evoluir economicamente mas também tecnicamente. Escolher a oportunidade de ganhar um salário significadamente maior e morar num país mais tranquilo e desenvolvido, não pode ser condenada, principalmente quando o jogador esta em seu auge, é o mercado!

Mas e no momento de voltar? Ronaldinho não deveria voltar ao Brasil para jogar no Grêmio e não Flamengo em 2011? Robinho não deveria cobrar um salário dentro da realidade do Santos, já que é o seu clube de coração? E um jogador como Kaká, a identificação e o amor pelo clube são do tamanho de apenas seis meses? Essas questões são pessoais, não se discutem, mais ridículo que beijar um clube a cada temporada é tentar impor o amor pela camisa que veste, podemos até afirmar que é cultural, se o jogador cresce nas categorias de base sabendo o que representa e a história que pode escrever assim como muitos fizeram anteriormente, tenho certeza que o carinho e a importância do clube em sua vida iria mudar.

Um exemplo claro está ao nosso lado, o atacante argentino do Manchester City, Sérgio Aguero, se ofereceu a pagar pela contratação de cinco jogadores, além dos salários, e ainda pediu uma lista a direção do Independiente, clube que o revelou, os dirigentes não aceitaram o dinheiro e decepcionaram o jogador/torcedor. Além disso, Aguero já afirmou seu desejo de voltar ao clube quando seu contrato com os Citizens se encerrar. Jogadores como Heinze(aposentado) e Maxi Rodríguez, voltaram ao Newell’s Old Boys, clube de coração que os revelaram. Este também foi o caso de jogadores como: Ignacio Piatti(San Lorenzo), Fernando Gago(Boca Juniors) e até Diego Milito, que voltou para o Racing para ser campeão argentino. Houve casos como o de Verón, que após voltar da Europa para seu clube de coração(Estudiantes), ainda decidiu abdicar de sua aposentadoria para ajudar o time.

Jogadores não são como máquinas, você não muda a ”configuração” do que pensam, por este motivo acho que este, assim como muitos outros, é um problema do futebol brasileiro que vem da base. Os jogadores de 9 a 12 anos precisam começar a aprender sobre a história do clube, cada atleta santista precisa saber não somente quem foi Pelé, mas também até onde ele chegou, a mudança de patamar e simbolo do Santos Futebol Clube que se tornou, e como fez isso. A mentalidade destes garotos será diferente quando chegar no time titular, se ele sai cedo sem fazer história, ele irá querer voltar e tentar ser importante no time. E a verdadeira opção virá a mente do jogador: ”Quero ganhar cinco vezes mais na China ou fazer história no clube que amo?”, a resposta para esta pergunta pode não ser a segunda, é uma questão particular e esta decisão é exclusiva do atleta e não imposta, o que é verdadeiramente importante não é ele voltar ao clube que o revelou, ou que ”ama”, e sim a ideia de fazer história nele, e este questionamento vir à sua mente, o que não parece acontecer no futebol brasileiro.

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