Blog do Celino Neto

A hipocrisia e fraqueza dos argumentos anti-Impeachment

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Nãovaitergolpe

O Impeachment é um momento histórico para qualquer democracia, dos Estados Unidos à Colômbia, da Inglaterra às Filipinas, do Paraguai à Venezuela, não importa em que país, é um fato que entra para a história. Nesta segunda década do século XXI aqueles conectados a Internet tem a oportunidade de participarem ativamente do processo, seja para convocar manifestações(como ocorreu em 2015 e 2016, onde dezenas de milhões foram as ruas) como também para expressar sua opinião, esta muitas vezes inocente e desconexa à realidade.

Não poderia ser diferente, em um mundo onde todos precisam ter opinião sobre tudo e expressa lá nas redes sociais rapidamente, sem qualquer estudo sobre o assunto, para ganhar retweets e curtidas, o sujeito, seja pró ou contra o Impeachment acaba falando sobre algo que não tem o mínimo de domínio, sobre questões que teve conhecimento a dez minutos mas precisa acompanhar a manada e falar algo sobre. Esta é, de maneira lastimável, a atitude majoritária nas redes sociais, seja qual “tendência” for. Mas diferente das outras esta envolve a política e a Constituição, então as bobagens proferidas ficam ainda mais evidentes.

No caso especifico brasileiro temos uma crise política e econômica gigantesca e o atual governo perdeu qualquer tipo de confiança, tanto da sociedade, quanto do Congresso. Ai é que entra o papel daqueles que não tem qualquer domínio sobre o que é o Impeachment e termina falando de acordo com determinado “formador de opinião” ou busca ser o chamado “isentão”, para tentar se mostrar superior aos outros. Num resumo rápido que qualquer ser pensante consegue ir no Google e pesquisar o Impeachment é definido como:

processo instaurado com base em denúncia de crime de responsabilidade contra alta autoridade do poder executivo (p.ex., presidente da República, governadores, prefeitos) ou do poder judiciário (p.ex., ministros do S.T.F.), cuja sentença é da alçada do poder legislativo.

Para um Impeachment prosseguir sua história deixa claro o que é preciso:

  • Uma denúncia com base jurídica
  • Um parlamento sem confiança na autoridade do poder executivo, ou seja, com desconfiança política(o que mais pesa)
  • E um governo fraco e sem capacidade de continuar a governar
  • Se a população estiver contra, o legislativo ganha ainda mais força para julgar(o que também é o caso do Brasil)

Estes são os pontos que fazem, numa rápida simplificação, um processo prosseguir. Se houver uma denúncia com base jurídica, o que tem de maneira concreta no caso de Dilma Rousseff;

Se houver um parlamento sem confiança no executivo, o que está escancarado que também existe no caso brasileiro, e principalmente se politicamente não houver sustentação o/a presidente deve cair.

A história mostra que apesar de fundamentais, o que faz a diferença não são as questões jurídicas e sim a política, isso em qualquer país, seja Inglaterra, Estados Unidos, Paraguai ou Venezuela.

Por este motivos trago neste post, alguns pontos um tanto quanto hipócritas ou até que escancaram uma desinformação generalizada nos argumentos contra o Impeachment de Dilma Rousseff.

“Nem Dilma, Nem Temer”, este definitivamente é o mais frequente! Geralmente dito por um cidadão que se tentar colocar em um patamar de isenção e acima de todos os “mortais que brigam pelo lado A ou B”, mas o papel deste é totalmente ridículo, pois em sua grande maioria é por ignorância ou má fé. Evidentemente este argumento só favorece a Dilma Rousseff e ao governo petista, pois apesar de afirmar não querer nenhum dos dois afirma indiretamente que “Não quero Dilma, mas não quero Temer, então vamos ficar com a Dilma”, assim acaba buscando a preservação de um regime criminoso e não a derrubada dele. O nem Dilma, nem Temer é o mesmo que afirmar que é ruim com Dilma Vana Rousseff e pior sem ela.

temer_dilma

”Que circo este Congresso na votação do Impeachment”, este provavelmente não acompanha política desde… desde sempre, pois desde as Diretas Já, ao Impeachment de Collor e agora o seguimento do Impeachment de Dilma Rousseff, o congresso é uma representação mais clara e próxima possível do que é o povo brasileiro. Com a bancada da Bala, Empresarial, Evangélica, Agropecuária, Sindical, dos “Direitos Humanos”, da Extrema-Esquerda, da Extrema-Direita, enfim, entre várias outras. Os mais de 500 deputados não chegaram de uma galáxia distante para povoar a Câmara dos Deputados, e sim foram eleitos pela população e quando exigida e pressionada por seus eleitores cederam e votaram conforme o desejo da maioria. O legislativo é apenas um espelho da sociedade.

“Nada de Impeachment, precisamos de novas eleições!”, este defende a ilegalidade, muitas vezes, sem saber. Afinal novas eleições não podem ser convocadas de uma hora para outra apenas por causa de seu presidente estar sofrendo um Impeachment. Este argumento é um dos mais absurdos, pois diferente dos outros que expressam opinião particular sem ferir as leis, este bate diretamente de frente com a Constituição. Novas eleições presidenciais só seriam convocadas neste ano, de maneira legal e não por meio de algum golpe, caso o TSE casse a chapa Dilma/Temer após entender que houveram irregularidades nas doações da campanha em 2014, o que está praticamente provado, mas existem poréns, este julgamento pode acontecer apenas após 2018, pois o governo pode adiar diversas vezes, e também Michel Temer pode conseguir separar suas doações daquelas destinada a Dilma Rousseff, por conta de terem sido dois arrecadadores diferentes para cada um, portanto de origens distintas. Além disso, se a chapa for cassada apenas em 2017, as eleições seriam indiretas e o novo presidente escolhido pela Câmara dos Deputados, o que acredito não seja o interesse de quem sustenta este argumento de viés verdadeiramente golpista.

“Se o lado vencedor tem Cunha, Bolsonaro, Aécio Neves, Serra, Alckmin e Temer prefiro estar entre os perdedores”, em 1992 sabe onde estavam os nomes citados? Com exceção de Temer e Cunha, todos estavam na Câmara dos Deputados votando a favor do Impeachment de Fernando Collor de Mello. O processo perdeu credibilidade por conta disto? Obviamente que não. O fato de Roseana Sarney e Sarney Filho votarem a favor do Impeachment de Collor desmerece o processo? Obviamente que não. O fato do presidente da Câmara na época, Ibsen Pinheiro, ter sido cassado pouco tempo depois desmerece o processo? Obviamente que não. O congresso em 92 também era muito sujo, houveram vários cassados que estiveram naquele momento a favor do Impeachment, então estes argumento são muito, mas muito descaradamente falhos. Mas existe uma diferença crucial, Collor não chegou a um nível tão baixo quanto o da organização criminosa travestida de partido político que é o PT, além disso ele não tinha uma máquina de imprensa, sindicalistas e radicais do ensino para lhe favorecer mexendo na cabeça dos chamados idiotas úteis para lhe defender.

(Obs: Definição Idiotas Úteis inventado na União Soviética, que descrevia pessoas que davam apoio aos tiranos Lenin e Stalin enquanto estes praticavam atrocidades, os comunistas olhavam com desprezo para estas pessoas por não terem inteligência ou amplo poder de convencimento as suas doutrinas, porém conhecia sua importância para o regime.)

Agora uma pergunta aqueles que insistem em defender com frágeis argumentos o mandato de Dilma Vana Rousseff. O que acham de uma presidente sem qualquer tipo de responsabilidade econômica e que considerou sua eleição em 2010 e reeleição em 2014 um cheque em branco para fazer do país o que bem entendesse?

Uma presidente que mais de 20 ministros que passaram por seus governos são diretamente acusados de corrupção?

O que acha de uma presidente que oferece “abrigo” contra a justiça para um criminoso prestes a ir para a cadeia?

O que acha de nomear um ministro da justiça que admite que, mesmo sem provas, iria punir vazamentos na Polícia Federal e busca de todas as maneiras melar a Operação Lava-Jato?

O que acha de uma presidente que chama 70% do país e mais de dois terços da Câmara dos Deputados de golpista?

O que acha de uma presidente que esteve diretamente ligada a compra da refinaria de Pasadena, esta que valia US$ 42 milhões mas a Petrobras pagou cerca de US$ 1,2 bilhão por ela?

O que acha de uma presidente que foi eleita com dinheiro saqueado da Petrobras?

Realmente é de enorme hipocrisia 99% dos argumentos contra o Impeachment de Dilma Vana Rousseff, além de fracos mostram que o regime petista no país não fez mal apenas a economia ou infraestrutura, e sim a inteligência, o discernimento e o mínimo de poder argumentativo de muitos brasileiros. O governo Dilma é um cadáver em putrefação, quanto mais demora, pior para quem está perto dele, a sorte do país é que os milhões nas ruas cavaram a cova, a Câmara dos Deputados jogou o corpo e o Senado Federal vai enterrar.

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